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“De Baile Solto” coloca maracatu no centro da questão

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Em seu novo álbum, Siba reflete sobre a cultura da Zona da Mata Norte e seu lugar na sociedade contemporânea

“Poeta é um vivente apurrinhado com o seu próprio tempo”. A frase de Mestre Gil Dedé parece refletir um pouco da inquietação do cantor e compositor Siba a respeito de uma questão crucial que reflete o seu novo álbum, De Baile Solto. No disco, o músico coloca em evidência a figura do caboclo de lança, referência aos maracatus de baque solto da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Essa imagem é o eixo central que norteia tanto a sonoridade quanto o discurso do disco: em que lugar na sociedade contemporânea se assenta tão viva e pulsante cultura daquela região? Qual importância que damos a ela na engrenagem cultural, política e social dos nossos tempos?

De Baile Solto está disponível na página de Siba (www.mundosiba.com.br) para download gratuito. Desde a capa, passando pelas 10 faixas do álbum, o arcabouço do trabalho se finca em elementos da Zona da Mata Norte que agregam outras sonoridades que o músico já vinha trabalhando desde o seu disco anterior, Avante. Os maracatus e cirandas ganham uma vestimenta peculiar – guitarras congolesas, bateria, percussão e tuba – e dão uma outra dimensão ao conceito do que poderíamos referenciar como música “regional” ou “universal”. Para Siba, esses conceitos caem por terra.

“A música da Zona da Mata sempre foi uma referência central no meu trabalho. E o que ela tem de universal é, justamente, o que ele tem de mais específico. O ritmo é universal, é a primeira coisa que chega e atinge o corpo quando se ouve uma música. Qualquer pessoa no mundo sente o ritmo imediatamente, de forma direta. Depois, a melodia, que, por mais que exija um contingente mais específico de assimilação, consegue-se também sentir, perceber. Esses elementos são muito claros e diretos em qualquer música do mundo”, comenta Siba. Para ele, são essas especificidades que permitem essas conexões com qualquer música do mundo, seja ele urbana ou rural.

A música e a poética que permeiam De Baile Solto refletem um processo natural ao fazer artístico de Siba, que é sempre incorporar novas abordagens às referências que traz em seus discos. Mas, muito mais do que a dimensão estética, o novo álbum trilha por um conceito bem amarrado. “É um disco com uma dimensão política muito forte também”, acrescenta. A cada letra, ele reflete o lugar dessa cultura na sociedade contemporânea, assim como um próprio questionamento sobre a condição desses fazedores dessa cultura, segundo ele, relegados a uma condição periférica. “Nesse disco, ao retomar essas referências num lugar tão central, foi impossível não perguntar ou não debater: como uma forma de expressão que eu considero uma filosofia de vida, uma cultura viva e dinâmica, uma coisa que eu percebo com tanta força e valor, ocupou uma escala tão inferior no panorama da nossa sociedade?” , pergunta.

“É um disco político, por fazer retomar a música de rua a um lugar que não vemos hoje em dia”, refere-se ao fato de migrar da introspecção de Avante para o debate conceitual e coletivo do novo trabalho. “Esse disco retoma também essa música de rua como um grito de revolta pela nossa incapacidade de dar essa forma de conhecimento sobre algo que está tão vivo entre nós”, acrescenta. Músicas como Marcha Macia (single lançado no último dia 6 de maio) e Quem e ninguém traduzem, poeticamente, o discurso que Siba imprimiu em De Baile Solto.

Os dois primeiros shows oficiais da turnê De Baile Solto acontecem no Recife: Siba e banda se apresentam nos dias 26 e 27 de junho no Teatro de Santa Isabel (Santo Antônio).

Fonte: SECOM PE

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